quinta-feira, 17 de abril de 2008
Humo
A Cidade está coberta de fumaça. Há vários incêndios nos campos e várias rotas de trânsito entre Buenos Aires e o Interior estão fechadas.
Profético.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Sem aviso
Quintal de "casa" no primeiro dia invernal.
Caminhante e o Rio de la Plata. 14/04/2008, de dentro do ônibus, a caminho do centro.
Yo. No ônibus da linha 45, antes de tirar a foto do caminhante. Oito da matina, menos de 10 graus.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Apenas algumas fotos
Uma pessoa e um abajour em meio a concreto e vidro.
El Congreso de la Nación Argentina
O céu porteño.
O velho e o novo.
The City.
Túmulo de algum general, cujo nome não me recordo.
Cruzamento da Av. Rivadávia com a Av. Diagonal Norte.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
La Bombonera
Chico Toicinho
NOTAS
La critica de Bacon al silogismo aristotélico: “el silogismo se compone de proposiciones, las proposiciones de términos; los términos no tienen otro valor que lo de las nociones. He aquí por qué si las nociones (y este es punto fundamental) debido a una abstracción precipitada, lo que sobre ellas se edifica carece de solidez; no tenemos, pues, confianza más que en una legitima inducción”. Aforisma 14.
En la aforisma 26 hay la formalización de la distinción hecha por Bacon entre dos formas de la busca de la verdad.
Primer: prenociones de la naturaleza. Anticipaciones de la naturaleza. Es mejor decir anticipaciones del intelecto, pues en estos casos hay una inducción no legítima en que el intelecto, partiendo de las experiencias vagas, superficiales y vulgares, se anticipa en hacer de ellas, leyes no correctas acerca de la naturaleza. Esta, según Bacon, es la forma que se hace ciencia, que en verdad es una falsa ciencia, apoyada en una inducción vulgar, sin método.
Segundo: interpretación de la naturaleza. Este es el método sugerido por Bacon. Una ciencia apoyada en la experiencia legítima e metódica.
En la aforisma 22: “el uno de los métodos, desde de el comienzo, establece ciertos principios generales, abstractos e inútiles, mientras el otro se eleva gradualmente a las leyes que en realidad son más familiares a la naturaleza”.
Duda: ¿como sabemos cuando termina la inducción legítima e, finalmente, tenemos las leyes universales completas?
Los ídolos: son los errores y principios que originan los errores en la inteligencia humana. Cuatro son los tipos de ídolos.
1- Ídolos de la tribu.
2- Ídolos de la caverna.
3- Ídolos del foro.
4- Ídolos del teatro.
Los ídolos de la tribu son los comunes a toda la raza humana, tienen su fundamento en la misma naturaleza del hombre. “el entendimiento humano es con respecto a las cosas, como un espejo infiel, que, recibiendo sus rayos, mezcla su propia naturaleza a la de ellos, y de esta suerte los desvía y corrompe”. Aforisma 41.
Los de la caverna son aquellos que provienen de la naturaleza individual, pues cada hombre lleva en si disposiciones naturales particulares que corrompen la visión de la naturaleza.
Los del foro son aquellos del lenguaje vulgar, no precisa, mal reguladas, de significados oscuros. El ídolo de la plaza pública. Definiciones e explicaciones malas.
Los del teatro son los ídolos introducidos en el espíritu por las filosofías no verdaderas y los malos métodos que ellas defienden. No solo de los sistemas filosóficos, pero también de las malas ciencias, con principios errados.
Después él sigue con sus críticas a la filosofía aristotélica y otros sistemas que juzga errados y que por muchos siglos han confundido la mente de los pensadores. Destaca que los mismos filósofos que hicieran sistemas filosóficos, especialmente el propio Aristóteles, cuando se volvieran a si mismos, también notaran las incapacidades del espíritu, pero no fueran capases de revisar sus filosofías e sencillamente apuntaran que los problemas que ellos no fueran capases de resolver o trabajar son ámbitos no alcanzadles por la inteligencia humana. Critica la falta de crítica en la edad media, cuando los escolásticos hicieran una filosofía apoyada en la autoridad de Aristóteles e de la religión, y que la aparente disolución de las otras escuelas filosóficas después de los peripatéticos es, justamente, solo aparente, pues esas otras escuelas permanecerán por mucho tiempo antes que se fueran olvidadas o puestas en según plano.
Además, mismo que después la filosofía peripatética tenga predominado, eso, según Bacon, no es un indicio de que la filosofía es mejor y más cerca de la verdad.
Hay también una crítica acerca de un supuesto distanciamiento de las ciencias prácticas de la filosofía natural, que es la madre de todas las ciencias prácticas. Fenómeno este que es la causa de la superficialidad de las ciencias prácticas en la edad media, dice Bacon.
“Con todo, nadie espere un gran progreso de las ciencias (sobre todo en su parte práctica), mientras que la filosofía natural no penetre en las ciencias particulares, y que estas no vuelvan a la filosofía natural”. Aforisma 80.
domingo, 9 de março de 2008
Buenos Aires, uma primeira impressão
Com esta informação na cabeça, ainda dentro do aeroporto, passei pela imigração sem precisar trocar uma palavra com o agente argentino, que apenas abriu meu passaporte e o carimbou. Pensei em tomar um ônibus, mas a bagagem era muita e pesada e não saberia como chegar ao hostel. Vi um taxista que, por puro preconceito meu, parecia honesto por estar batendo um papo com o passageiro que estava descendo de seu taxi no aeroporto. Fui todo o caminho conversando com o motorista, que era muito gente boa. Claro, não conseguia entender tudo que ele falava, e tinha que responder com meu espanhol ao estilo do inglês das aeromoças da Gol linhas aéreas.
Ele adora o Brasil, e logo a conversa tomou o rumo do turismo em Florianópolis, depois o futebol: é torcedor do Estudiantes, e tem admiração pelo Inter de Porto Alegre. Falou-me muito sobre a cidade, mas confesso não ter entendido muita coisa, pois, além de ele falar um pouco rápido, parecia pressupor que um cidadão recém chegado já sabe quais são e onde ficam as principais ruas de Buenos Aires. A viagem me custou 70 pesos, que é mais ou menos o que se gasta do aeroporto de Congonhas até a Av. Paulista (São Paulo), pelo que me lembro.
O hostel que estou é muito bom (www.snhostel.com). A estrutura é boa, é limpo e o pessoal que está por aqui é bacana. Há, ou já houve desde que cheguei, gente da Suécia, Brasil, Colômbia, Israel, Austrália, Chile... e mais que já não me recordo. É muito bem localizado, na ru
a Bartolomé Mitre, 1600 e pouco, paralela a Av. Rivadavia, que passa ao lado da praça e do palácio do Congresso de la Nación Argentina, que é um prédio muito bonito (o hostel fica, na verdade, na esquina da Bartolomé Mitre com a Rodriguez Peña, e a foto é desta última, tirada da janela do quarto onde estou). Há metrô muito perto, a Línea A, que é a linha mais antiga, com uns trens bem velhos, com bancos de madeira, iluminação antiga, mas que funcionam muito bem e passam de 5 em 5 minutos. O bom das ruas aqui é que as quadras são mais ou menos sempre 100m x 100m, com ruas retas, o que facilita muito a localização. Ainda assim, como a cidade é enorme, é bom utilizar o "Guia T de Bolsillo", que é um pequeno guia de bolso muito bem feito, com mapas da cidade e indicações muito completas sobre as linhas de ônibus e de metrô. Até os nativos usam este guia. É bem melhor que andar por aí com um mapa enorme e aquela cara de turista.Ao que parece, já até me passo por nativo, uma vez que por três vezes já vieram me pedir informações na rua como se eu fosse um velho porteño calejado de andanças por todas as ruas da cidade.
Os porteños, ao contrário do que muitos me disseram no Brasil, são muito gentis e atenciosos. Ao menos os que conheci até agora e claro que estas generalizações são perigosas, mas quando peço informação na rua sempre tenho uma resposta boa e gentil. Hoje, por exemplo, estava almoçando e quando fui pagar o garçon viu que eu tinha alguns Reais. Foi a deixa para ele arriscar um português.
Na noite passada fui a um tango em Almargo, um bairro não muito turístico, mas muito bacana. Estava com um amigo do Brasil, uma austríaca, uma alemã e um alemão, pessoal muito gente fina. O bar que íamos estava fechado, entao procuramos outro, depois de tomarmos umas cervejas em um restaurante. O outro era um bar mais formal, com pessoas mais velhas (bem, não conhecendo a cidade, as vezes nos metemos em umas dessas), mas a senhora que administra o bar foi tão atenciosa que resolvemos entrar, todos vestidos como viajantes surrados pela vida no albergue, destoando completamente dos demais. Não precisamos pagar a entrada; a senhora fez questão que nos sentássemos sem pagar e nos atendeu muito bem. Ainda cabe um destaque a staff do hostel e aos professores e funcionários da universidade que atendem os estudantes estrangeiros; são todos muito profissionais e atenciosos, sempre ajudando. Estou realmente surpreso com a gentiliza dos porteños que conheci até agora. Vale dizer ainda que fui e voltei a pé deste tango (uns 2km dos meu hostel), e a rua estava movimentada e com um clima seguro, mesmo as 4 da matina.
Outra coisa que me deixou surpreso é o incrível atraso da Universidad de Buenos Aires quanto ao sistema de matrícula e aquelas coisas todas que quem conhece o "cagr" da UFSC está acostumado. Se nós da UFSC reclamamos do cagr, devemos ver como é na UBA: não há NADA na internet. Toda matrícula tem que ser feita em papel, pessoalmente, depois de ir à universidade para ver quais são as matérias e as datas expostas em um mural. Não, nem as matérias e datas estão na internet. A matrícula é feita em alguns dias, e os estudantes divididos de acordo com a primeira letra do nome (ou do sobrenome, nao sei); na quarta, por exemplo, os alunos começados com D até G devem ir fazer a matrícula, e assim vai. Felizmente os intercâmbistas fazem a matrícula de outra forma, mais simples e sem filas, mas pegam o rolo das datas e dos programas das disciplinas, que também não estão na internet e têm que ser lidos nos departamentos de cada curso. Além disso, a UBA é uma universidade gigantesca, com 300mil alunos, que é quase a população de Floripa, então as faculdades e escritórios da universidade são espalhados pela cidade, o que dificulta um pouco minha vida quando se trata de ir resolvendo as burocracias.
Na segunda me mudo para o alojamento da universidade, que é um pouco distante do centro e da minha faculdade. Felizmente o transporte coletivo, até agora, me parece muito bom. De maneira geral a cidade me agrada muito; há muito movimento, funciona tudo até bem tarde, parece haver uma forte movimentação política, pois há sempre algum tipo de manifestação perto dos prédios do governo, mesmo que pequena. O que mais vi nesses dias em relação a isso é um movimento dos veteranos da guerra das Malvinas, que devem ter ficado sem suporte do governo. Ontem mesmo, por acidente, me meti numa rua onde havia uma pequena manifestação, em frente a algum prédio do governo da cidade, onde havia no mínimo uns 3 policiais pra cada manisfestante. Essas coisas me perseguem, mas só passei por ali pra dar uma olhada e logo me fui; estava no meio do meu caminho.
A temperatura está muito agradável todos esses dias, mas está quase sempre nublado e as vezes chuvoso. O ar é que não é lá tão bom, vi até um jornal em uma banca, ou kiosco, cuja matéria de capa era "Ciudad de los Malos Aires". Nas avenidas principais, de trânsito pesado, a poluição é sentida, e as ruas são sujas, como em toda grande cidade brasileira. A cidade tem muitos prédios que me parecem muito bonitos, com uma arquitetura bastante refinada e muitos prédios antigos bem conservados. Ainda não saí com a câmera para tirar fotos, mas quero fazer isso logo, até porque tenho andando muito pela cidade: ontem estive, com o mesmo pessoal do tango, em San Telmo e la Boca, onde vi la Bombonera, palco do afundamento de muitos clubes brasileiros de futebol, e o caminito, área de muitos turistas.
Bem, já estou cansado de escrever por agora e, se alguém chegou a ler até aqui, também já deve ter se aborrecido com o texto, por isso paro por aqui. Continuo nos próximos dias.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
A mudança do obscuro filósofo

Pedráclito era um homem simples que vivia em uma pequena cidade próxima a Mileto, na atual Turquia. Em princípo era pescador, mas abandonou a atividade e mudou-se para a área central da cidade em busca de uma vaga na Acadêmia, onde logo destacou-se como aluno estudioso e perspicaz, embora fossem poucos os que de fato conseguiam entender o seu discurso sinuoso, sem pontos nem parágrafos e de extensão fora do comum. Era conhecido também, nos bosques que cercavam a pequena acadêmia, pelo seu bigode e sua vasta cabeleira, que segundo dizem, serviu de inspiração para um famoso cantor brasileiro quase vinte séculos depois, enquanto o bigode serviu de modelo para os toureiros espanhóis.
No centro da cidade mantinha a mesma vida simples dos seus tempos de pescador. Andava pelas ruas com seu chapéu e uma sandália, coberto por uma manta, às vezes bege, outras verde. Dizem os escritos que foi ele um dos criadores de um aparato que muitos séculos depois levaria à invenção da bicicleta; seu veículo de fato lembrava tal invento da modernidade pelo que se observa nos desenhos feitos pelo artista da vila, que o retratou certa vez andando com seu transporte atás de uma estranha criatura de ombros largos e rosto eqüino que parecia fugir com medo. O principal problema de seu invento era a dificuldade de parar, uma vez que não haviam freios.
Sua fama de obscuro começou durante este seu período de estudos, não só por causa de seus textos e discursos, mas também por sua incrível capacidade de isolar-se em sua pequena habitação e distanciar-se do mundo, quando lia comédias e tragédias de autores locais e criava teorias mirabolantes sobre as mulheres. Também era chamado, ironicamente, de sábio da montanha, uma vez que isolava-se, mas sua sabedoria encontrava-se muito à frente da capacidade de compreensão de seus contemporâneos, que o tinham por louco.
Foi num momento oposto a esse, quando Pedráclito jogou-se em meio à cidade em busca dos lugares com os produtos mais baratos possíveis, que escreveu uma de suas obras mais famosas, cuja impressão original há muito foi perdida, restando apenas uma edição em inglês moderno que se intitula "Pedráclito's Guide to Hidden Cheap Places", que não só contém uma listagem de tais lugares em sua cidade, como toda uma metodologia de procura deles que até hoje pode ser aplicada.
O talento demonstrado na escrita desse livro teve seu ápice quando o já não tão jovem filósofo andava pelos vilarejos ao sul da cidade, deopis de procurar uma nova moradia por anos e nunca se dar por satisfeito. Lá, de forma absolutamente inesperada para os demais, Pedráclito teve a recompensa por sua teimosia e encontrou uma nova casa, muito barata, numa vila de pescadores. Pedráclito chamou então alguns amigos para ajudá-lo na longa mudança, entre eles Leniofonte, o sofista e Jorgemênides, o carroceiro. Este último possuia uma pequena carroça que Pedráclito imaginava ser capaz de carregar todas as suas posses pela longa distância de sua velha casa até a nova. Tal delírio se deu, certamente, pela vontade de não pagar um carroceiro profissional com um veículo maior para o transporte.
Havia uma longa desci
da da casa de Pedráclito até o local onde a carroça estava parada, o que deu ao migrante muito trabalho, assim como para seus amigos. Em certo momento fez-se necessário descer uma rústica estante onde o obscuro filósofo guardava seus livros. Os três e mais outro amigo, Amaro, o político, iniciaram a descida dela até a carroça. Eram todos filósofos, e em vez de discutir a melhor forma de realizar as tarefas da mudança, discutiam a mesidade da mesa e a cadeiridade da cadeira. A estante também não escapou de ter sua estanticidade discutida, e foi a primeira a sucumbir: quebrou-se violentamente na descida, logo no começo. A foto é uma reconstituição contemporânea de Pedráclito e Leniofonte discutindo ontologia diante dos objetos da mudança.Para alegria dos demais, Pedráclito resolveu chamar uma outra carroça, capaz de carregar muito mais do que a pequena carroça de Jorgemênides. Estranhamente Pedráclito insistiu em levar quase tudo que possuia na carroça pequena, de acordo com o relato do próprio Jorgemênides.
O principal acontecimento da mudança ainda estava por vir. Tudo já havia sido descarregado nas proximidades da nova casa, e boa parte das coisas já havia sido até mesmo levadas escada acima, para dentro da habitação com vista para o mar e para a vila de pescadores.
Faltava ainda uma grande e pesada mesa, que precisava ser erguida escada acima, e antes ainda tinha que passar sobre um muro mais alto que os próprios filósofos. Do outro lado do muro, fora do terreno da casa, os quatro discutiam, desta vez de fato sobre a melhor forma de levar a mesa, embora as idéias e os palpites fossem muitas vezes absurdos. Chegaram a um acordo e iniciaram o processo. O que estaria por ocorrer não poderia ter sido imaginado. Pelos escritos de Lenifonte e Jorgemênides, eis o que ocorreu:
"Tudo que vi na minha frente foi Pedráclito sem cabeça. Subitamente a mesa caiu e girou. O que me aparecia era apenas um corpo inerte, sem cabeça e somente um ombro, quieto. Houve aquele momento, alguns longos segundos, em que se tenta entender o que se passa e que nenhum som é interpretado. Pensei 'que diabos fez Pedráclito?'. Achava que a culpa pelo desastre era dele, coitado. Sofre e ainda leva a culpa... porém, passados estes segundos passei a ouvir uma sádica gargalhada. Era Leniofonte, o culpado pela tragédia. Estranhamente eu também fui contagiado pela gargalhada, tamanhos são os dotes sofísticos de Leniofonte. O pior para Pedráclito é que os três rindo não conseguiam tirar a mesa de cima dele. Só posso imaginar o pânico de tal ser, que queria apenas morar longe e com tranquilidade, e quase perde a vida em tal processo." Jorgemênides, "Tratado do desastre anuciado", pg. 32.
Estamos ainda agurdando o término da tradução do trecho de Leniofonte sobre o ocorrido, que logo deve ser acrescentado aqui.
Pedráclito sobreviveu, e morou muitos anos naquela casa.


